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Entrevista para o blog da empresa Coddart (2010)

O artista português José Tavares criou, através da sua arte, uma nova maneira de comunicação visual que se estende em um abrangente campo interpretativo. Ele concedeu uma entrevista ao blog da Coddart e apresentou suas obras – mais conhecidas por “Iknie“ – e o contexto em que elas estão inseridas.
“Já não vou mais ser um engenheiro. Talvez sim um engenheiro de formas e cores.”
“Iknie é inteligente, é dinâmico, não necessita nem trata a personalidade. É global(…)”
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Um exemplo de Iknie
Fale um pouco sobre você José.
Eu sou um jovem de 48 anos. Quando era ainda mais jovem, tive a oportunidade de viver no estrangeiro e de viajar imenso pela europa; e isso fez-me aprender imensas coisas acerca do ser humano e de muitos outros mais. Acabei por nunca usar a minha licenciatura em agronomia na “Vysoká Skola Zemedelská v Brne” na antiga checoslováquia, mas comecei aí a desenvolver inúmeros mecanismos ao mesmo tempo checos, russos, portugueses, científicos, sociais e outros.
Sou um ser em constante mudança e cada vez mais entusiasmado comigo e com o mundo. Gosto de conviver, gosto de viajar, gosto de aprender e de ensinar, gosto da natureza e tento cooperar com ela da melhor maneira que sei.
Qual é a sua formação?
Eu licenciei-me em engenharia em 86. Logo que voltei a lisboa, frequentei vários cursos relacionados com áreas várias e um dia comecei mesmo um mestrado em hidráulica que não terminei.
Já não vou mais ser um engenheiro. Talvez sim um engenheiro de formas e cores.
O que significa o nome “Iknie”?
Quando comecei a criar as minhas novas personagens baseadas em linhas simples, em 97, eu quis dar-lhes um nome que fosse também simples, um nome de duas sílabas e que soasse a algo global. Uma palavra que pudesse ser dita também por indígenas por, exemplo, …e gente das mais variadas origens. Deveria ser uma palavra com sentido transcultural. Iknie foi a palavra que me ocorreu. Não pensei nunca noutra nem numa variação desta. Gosto do sentido e da sonoridade global dela e também de ter a ver com com a palavra grega “ícone”, que significa imagem. Acho também que a estrutura desta palavra já sugere algo de gráfico… o que me agrada.
Quais são suas influências artísticas?
Iknie, por José Tavares
Quando eu viajava pela europa, visitei inúmeros museus e galerias de arte. Mesmo como estudante de biologia e bioquímica eu já era muito sensível a questões relativas à criação. Fiquei com noções muito boas acerca da “missão” do artísta nos tempos de hoje. Isso foi o que me influenciou mais.
Eu aprecio imenso os grandes mestres. A pintura que eles deixaram alimenta-me continuamente. Mas também sou pela recriação de tudo. Tirar tudo o que está “em cima da mesa” e voltar a colocar lá novas coisas em novos lugares. Iknie tem em si mesmo essa ideia: Novas “coisas” em cima da mesa da arte, mas de tal forma que possam ser removidas de lá no melhor momento.
Dois artistas que ligam muito bem comigo são o senhor Van Gogh e o senhor kandinsky.
Quais são suas técnicas utilizadas para criar as Iknies?
Há uma grande diferença entre o que faço agora e quando comecei, há 13 anos. No início eu dizia que a minha técnica era de síntese. Algumas das minhas personagens do início são tão importantes e tão simbólicas (e sintéticas) que se pode dizer que tenho vindo a criar, em grande medida, os seus sub-productos, as derivações delas. Como que a desenhar os filhos e as
filhas desses Iknies que apareceram nos dois primeiros anos.
Entretanto, eu quase já não chamo nada à minha técnica. Ela já não é de síntese. Eu agora falo mais em várias frentes.
Faço avançar uma frente, tenho que parar com outra, tento criar uma ou duas novas… Frentes ! Eu sei que daqui a um ano vou dizer outra coisa. É inevitável.
Iknie é uma invenção, é algo nascente… a cada dia que passa dá-nos algo que não esperávamos ter. Também gostava de me dedicar mais à teorização desta ideia mas o tempo não permite. Ou seja: “Não há tempo para técnicas !”, perdoe-me o humor.
Como se deu o desenvolvimento da sua linguagem artística?
Na minha obra existem duas linguagens em simultâneo. Uma é a linguagem do artista, independentemente do que ele quer a “longo prazo”; a maneira como ele fala através das obras que cria. No meu caso, essa “fala”, foi-se gerando, foi aparecendo, à medida que a linguagem real Iknie também ia aparecendo.
A linguagem em si mesma, o código organizado e coerente, que pode ser sempre completado e enriquecido por outra pessoa que não eu, resulta de um processo dinâmico e cada vez mais completo que tem no seu eixo cerca de 20 ou 30 imagens, em torno do qual giram milhares de imagens com elementos gráficos similares.
Em alguma medida, existem já os “avós-Iknie”, os “pais-Iknie” e ultimamente, os “netinhos-Iknie”…
Você a considera mais técnica ou mais artística?
A pergunta é pertinente. Eu podia dizer que ela é exactamente 50%/50%. Metade técnica e metade artística. Mas não, não respondo assim. Há um eixo simbólico muito forte, como referi; assim como há muitas interferências sinaléticas e científicas. Os espaços vazios dos Iknies estão perfeitamente preparados para aceitarem noções e códigos científicos. Isto para além das minhas estructuras gráficas poderem ser usadas directamente em actividades científicas.
Os Iknies prestam-se a uma infinidade de coisas.
Eles, os Iknies, comportam-se muito como música. São um código móvel como a música é um código móvel; ou, se assim o quiser, Iknie é uma “bailarina” muito bonita que dança por entre muitas ideias, num cenário muito rico.
Linguagem Iknie
Em sua obra, é visível uma inspiração feminina. Qual a ligação da Iknie e a mulher?
Iknie é uma nova ferramenta centrada na mulher e na beleza feminina. Existem lindos Ikniezinhos, no entanto, as meninas têm prevalecido. O artista é claramente mais seduzido pelas formas femininas. Quando ele desenha, ele quer dizer que as mulheres que ele viu nas ruas e nos lugares, são afinal apenas doces bonequinhas. Doces e lindas meninas, e também momentos artísticos.
Devo dizer também que esta ideia está a seguir com muito interesse a “nova mulher” que aí vem. Iknie promove e a anuncia.
Você aprecia quais outros tipos de arte?
Aprecio muitos tipos de arte. Às vezes vejo arte e criação em lugares aparentemente disprovidos de qualquer lógica.
Nas nuvens vejo arte; nas marcas que os sapatos deixam no chão vejo arte, quando fecho os olhos formam-se imagens belíssimas que escapam à minha mão e à minha consciência.
Sou um ser muito sensível que aprecia todos os impulsos artísticos. No entanto, estou sempre muito atento ao que se estabelece, ao que fica… e também ao que está a nascer.
Eu tenho divulgado a minha invenção de muitas maneiras. Tenho feito exposições no estrangeiro, tenho dado entrevistas para os media, tenho feito palestras e apresentações, já estive a promover os Iknies na rua, patrocinado equipas de futebol amador que usam Iknies como mascote (IknieTeam).
Penso em promover a minha invenção de modo muito diverso.
Gostava imenso de um dia as “gravar” no pêlo de animais vários e depois organizar um desfile com eles. Imagine como seria: Belo cavalos e éguas correndo… com as suas Ikniezinhas coloridas ondulando…
Muitas coisas interessantes vão ainda acontecer, com certeza…
A mulher representada em Iknie
Como é o cenário artístico de Portugal no qual você está inserido?
Para ser verdadeiro eu não estou inserido em nenhum cenário (risos…). Nem em portugal nem noutro país. Iknie é uma experiência rara que tem tido um percurso muito ímpar. Iknie não é apenas arte. Em muitos aspectos é realmente apenas uma invenção. Em muitos aspectos, esta minha linguagem gráfica é a maneira como um engenheiro agrónomo transformou a maquinaria agrícola que ele tinha na sua cabeça (os tractores e as debulhadoras…) em bonequinhas; em personagenzinhas que não precisam de parafusos nem gastam óleo nem sequer precisam de motorista. Bonequinhas assim como florezinhas… bonequinas “que nem” plantinhas e florezinhas.
Quais são os maiores obstáculos que você enfrentou para consolidar a sua arte?
O maior obstáculo, de facto, seria não haver nenhuns obstáculos. Como têm havido inúmeros… posso dizer que tem sido tudo fantástico (risos…).
Bom, o que acontece de facto é que no estrangeiro eu sou um artista que tem algo muito incomum para apresentar. Sou exótico e dão-me valor. Em portugal, com a enorme tendência que os portugueses têm para maltratar os seus próprios valores, eu sou apenas um indivíduo. Muitas das vezes, há organizações que se aproximam e que têm interesse no que faço, para depois… passado algum tempo, se afastarem totalmente e me ignorarem. A comissão para a igualdade de género, do governo português, já teve interesse em Iknie. Falaram em inúmeras coisas que podiam ser feitas: Propôr a ideia ao ministro, publicar coisas… sei lá mais o quê. Agora não me respondem sequer aos meus mails. É incompreenssível, não há explicação.
Quais são seu projetos atuais para a Iknie?
Como sempre, eu trabalho em várias frentes: o josé artista, o josé inventor, o josé apresentador… o agente dele próprio. Uma das frentes mais importantes é levar Iknie para países grandes e com estructura… países que se estejam a mexer. Portugal está parado em muitos aspectos. Muitas mentes aqui estão apenas paradas. Tornaram-se apenas consumidoras de productos e ideias americanos… muitas vezes de fraquíssima qualidade. Se eu fosse americano, eu já era famoso e rico aqui. Como eu tenho também o meu lado de estrangeiro, ainda vou tentar “fazer-me passar” por americano aqui em lisboa… e ficar conhecido (risos).
Fora de brincadeiras, estou cada vez mais interessado em entrar para a moda, ver usos em publicidade e também ideias relacionadas com mulher e direitos da mulher… neste momento, nesta fase.
Iknie, por José Tavares
Que tipos de aplicações podem ser feitas com a Iknie?
São inúmeras ! Dada a estructura simples e imaginativa da minha “arte”, ela aceita todo o tipo de ligação. Veja que pode juntar letras, fotos, outros sinais, sons, caras de pessoas, paisagens e os Iknies não perdem a sua graça… aliás ganham graça; tornam-se ainda mais curiosos.
Como disse antes, Iknie tem tudo para vir a ser usado também no espaço. Iknie é inteligente, é dinâmico, não necessita nem trata a personalidade, é global… e remete para a técnica, a ciência e a tecnologia. É um meio caminho entre tudo, o ser humano e qualquer coisa. Iknie é muito equilibrado.
O projeto Iknie é conceitual, comercial ou artístico?
É isso, é isso… Iknie é todas essas coisas e outras mais.
Artístico, óbvio… Comercial, muitos usos… Conceitual, em cada momento… .
Uma das ideias que relaciono normalmente a Iknie, é a ideia de jogo. Não é só um jogo internamente, como pode ser usado também externamente como um jogo, ligando questões de comunicação global a questões locais, a assuntos relacionados com o futuro, com o mundo da mulher, com o espaço (cosmos)…
Como o mercado pode absorver a Iknie?
No mundo, a ideia de mercado e os mercados (aliás, tudo também… ), estão a mudar radicalmente. Neste momento específico da história, o mundo é algo imprevisível… com tudo o que isso tem de bom e de mau. Os ventos da economia
estão a mudar, como muita gente já se apercebeu. Por outro lado, a importância da arte e da comunicação no mundo
que avança diariamente, vai ser maior. Iknie aparece num momento excelente para acompanhar essa mudança. Uma nova simbólica global como se fosse uma constituição de símbolos para tratar de muitas coisas que as palavras não podem ou, já não podem.
Como você conheceu a Coddart?
Eu conheci a coddart no FaceBook.
Qual foi a sua impressão da empresa ao ver nossos projetos?
Ainda tenho uma opinião muito mal formada. Apenas visitei a página e li algumas coisas acerca de vocês, nada mais.
No entanto, a opinião é muito boa. Parece-me tudo bastante bem enquadrado e feito superiormente. Algumas das
técnicas que usam são para mim bastante desconhecidas.
Você chamou a atenção para algum projeto da Coddart em específico?
Eu tenho feito milhares e milhares de Iknies, mas não tenho lidado com tecnologia. Tudo o que vi na vossa página relacionado com “essa senhora” me interessa. O lado interactivo e dinâmico da dupla “arte-tecnologia” interessou-me bastante.
Mas, como lhe digo, não conheço com rigor as vossas actividades.
O criador da Iknie, José Tavares
Qual a relação artística que você vê entre a Iknie e Coddart?
O meu código Iknie é de facto um mundo por explorar. Há milhentas coisas que podem ser feitas com esta espécie de letras artísticas. Sobretudo nesta fase de enorme expansão da minha ideia, cooperar convosco seria de enorme importância. A coddart pode vir a ajudar Iknie em muito a estabelecer-se no mercado; a criar ligações fortes com as pessoas, com outras empresas e com outras ideias.

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